Good girls go to heaven, bad girls go everywhere!!

Instantes Perfeitos

De que é feito o amor? De vontade, de tempo, de perfeição. De espera, de respeito, de paciência. De doçura, de proximidade, de generosidade. De sonho, de paixão e de alguma tristeza. Há pessoas que ficam muito tristes quando percebem que se vão apaixonar. E outras que ficam ainda mais quando se apercebem que não conseguem atingir esse estado exaltado e sublime que faz parar os ponteiros do relógio, satura as cores e traz uma luz perfeita à existência.

Eu pensava que sabia o que era o amor. O amor puro, incondicional, intemporal e inabalável que resiste a tudo, ao frio, à solidão, ao vento e à chuva, ao tempo e ao modo, à ausência e à distância. Cada dia que vivi nesse estado de graça era um dia cheio, podia ser o derradeiro, porque nada contava além desse sentimento abrasador, invasor, arrebatador que me tomava os membros e a alma, a cabeça, os olhos e o peito, as horas, minutos e segundos, que tomava conta da minha vida e de mim.

Não me interessava se o meu objecto amoroso, um rapaz afinal igual a tantos outros com olhos de criança e andar elástico, me amava ou me queria, tal era a dimensão do que por ele sentia. E, sem nunca desistir, habituei-me à ideia de que o amor era amá-lo, mesmo na ausência, na tristeza, no vazio das minhas mãos que se davam uma à outra sem que uma terceira as agarrasse para me dizer:
- Estás enganada, é preciso outra pessoa para construir o amor.

Quando nos habituamos a dar, receber torna-se um exercício difícil, quase assustador. Quando vivemos numa elevação permanente, baixar à terra parece-nos torpe e pouco digno. Quando somos náufragos dentro de nós mesmos, todas as praias são miragens e esquecemo-nos de procurar um porto de abrigo. E habituamo-nos a uma tristeza permanente que nos faz ver o mundo desfocado e que nos protege da luz que já fomos.

É muito difícil voltar a amar. Amar sem tempo, sem exigências, sem medo. Amar por amar, querer sem pensar, sonhar sem recear, deixar o barco partir outra vez. O barco balança mas a âncora não sobe, as velas enrolam-se de recato e cansaço, o vento não sopra e muito pouco muda.

Mas porque é impossível sobreviver no deserto ou navegar para sempre, há instantes de amor, momentos perfeitos em que sentimos outra vez o sangue a ferver, os olhos mudam de cor e as mãos voltam, por breves segundos, a entrelaçar-se, quando alguém nos diz ao ouvido:
- Estás enganada, pode ser isto o amor.

E pode, e deve e nós até queremos que seja, mas o coração não obedece a nada senão à sua própria vontade e o amor continua a ser um mistério que não sabemos como começa nem quando acaba. "I guess i’m luckier than some folks/I knew the thrill of loving you", canta o Chet Baker enquanto escrevo estas linhas para nelas guardar instantes perfeitos que desejaria transformar numa vida inteira. Mas a vida é isto: acho que tenho mais sorte que os outros, pois já amei alguém. Agora, aprendi a amar a vida, a cor da lua quando enche, o tempo que passamos juntos, tu e eu, num sossego só nosso, feito de pequenos instantes perfeitos que se vão dissolvendo na espuma dos dias.

LOOOOL : D

João...

Aquela pessoa que sei que estará sempre ali. Alguém que se preocupa comigo, alguém que não conheço muito bem mas que posso dizer que gosto de tudo aquilo que vou conhecendo, alguém que mesmo que seja difícil tenta sempre compreender-me, alguém com quem falo daquilo que mais me apetecer sem nunca me julgar, alguém a quem devo um obrigado por sempre me apoiar quando mais preciso.
Lembras daquela tarde em que estivemos no café e minha mãe ligou e quando cheguei a casa tive de dar montes de explicações (quem é o João? de onde o conheces? estudou contigo?)? Todas estas perguntas que a minha mãe me fez assim que cheguei a casa e às quais respondi com a maior das naturalidades, e que responderia novamente se assim fosse necessário. Foi naquele bocadinho que conhecemos mais um pouco um do outro, que tivemos uma conversa sobre tudo (desde escola, à perda de familiares...). Foi um momento importante. Um momento em que me surpreendeste e em que sei que te surpreendi. Nenhum de nós esperava que a pessoa que ali estava à nossa frente fosse aquilo que agora estava a mostrar ser.
Nunca mais nos vimos. Tenho saudades daquele bocadinho, daquelas conversas sobre tudo e sobre nada apenas para nos conhecermos.
És uma pessoal especial, ao contrário do que eu pensava, não quero abdicar de ti. Sei que o facto de eu estar em Beja e ir aí poucas vezes não facilita em nada as coisas e poucas vezes nos vemos. Mas com esforço iremos conhecermo-nos melhor, surpreendermo-nos um ao outro (como temos feito até agora). És mesmo daqueles amigos que sei que estarão sempre para mim e sei que estarei sempre para eles.
És importante Joãozinho! Tas aqui <3

Beijinho Joana Rodrigues

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